segunda-feira, 29 de setembro de 2008
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Há aproximadamente duas semanas eu estava ao lado do meu professor de yoga com quem, vale se ressaltar, não simpatizo muito. Estávamos conversando e ele me perguntou (ou acho que sozinha cheguei a esse ponto) o que a yoga tinha mudado na minha vida. Falei que estava menos ansiosa, tentava ser menos imediatista. Esqueci do ponto principal: meu corpo e mente nunca foram tão amigos um do outro.
Uma vez, já faz um bom tempo, estava folheando uma revista quando vi uma nota e uma imagem ao lado, dizendo: "o estilista tal separou-se de sua mulher que praticava yoga, e em sua 'homenagem' criou uma camisa com os dizeres 'fuck yoga'". Na hora achei aquilo o máximo, alguém não estava naquela modinha babaca de fazer yoga.
Enfim, resumindo, entrei anos depois deste episódio, na yoga. A questão é que, aos poucos, como alguém que vai nutrindo um respeito por outrem, eu vou pelo meu corpo. Nunca o levei em consideração porque nunca me levei em consideração. Arranquei meus cabelos até formar buracos, me fiz de piada para os outros só para ser aceita, morri de fome várias vezes por vontade própria, furei minha pele até sangrar só para tirar um pêlo encravado, me estalei até minhas articulações doerem e eu não conseguir me mover normalmente, bati em objetos de madeira até ralar minha mão, pratiquei 'sexo inseguro' com alguém que não confiava, tomei bebidas ácidas tendo gastrite e alcóolicas sob o efeito de anti-depressivos, ingeri 5 pílulas laxativas quando o máximo permitido eram 2. Entre outras coisas.
Se o corpo é o templo de Deus, na visão cristã, sou uma herege terrível. Porém, arrependida.
Na yoga, desconforto nas posições (asanas) é inadmissível. É preciso respeitar seu corpo, dar tempo a ele. Às vezes ainda forço. Bem menos agora, é verdade.
Uma vez, já faz um bom tempo, estava folheando uma revista quando vi uma nota e uma imagem ao lado, dizendo: "o estilista tal separou-se de sua mulher que praticava yoga, e em sua 'homenagem' criou uma camisa com os dizeres 'fuck yoga'". Na hora achei aquilo o máximo, alguém não estava naquela modinha babaca de fazer yoga.
Enfim, resumindo, entrei anos depois deste episódio, na yoga. A questão é que, aos poucos, como alguém que vai nutrindo um respeito por outrem, eu vou pelo meu corpo. Nunca o levei em consideração porque nunca me levei em consideração. Arranquei meus cabelos até formar buracos, me fiz de piada para os outros só para ser aceita, morri de fome várias vezes por vontade própria, furei minha pele até sangrar só para tirar um pêlo encravado, me estalei até minhas articulações doerem e eu não conseguir me mover normalmente, bati em objetos de madeira até ralar minha mão, pratiquei 'sexo inseguro' com alguém que não confiava, tomei bebidas ácidas tendo gastrite e alcóolicas sob o efeito de anti-depressivos, ingeri 5 pílulas laxativas quando o máximo permitido eram 2. Entre outras coisas.
Se o corpo é o templo de Deus, na visão cristã, sou uma herege terrível. Porém, arrependida.
Na yoga, desconforto nas posições (asanas) é inadmissível. É preciso respeitar seu corpo, dar tempo a ele. Às vezes ainda forço. Bem menos agora, é verdade.
"For ignoring you: my highest voices.
For smiling when my strife was all too obvious.
For being so disassociated from my body,
and for not letting go when it would’ve been the kindest thing.
To whom do I owe the biggest apology?
No one’s been crueler than I’ve been to me."
Thank you, India.
For smiling when my strife was all too obvious.
For being so disassociated from my body,
and for not letting go when it would’ve been the kindest thing.
To whom do I owe the biggest apology?
No one’s been crueler than I’ve been to me."
Thank you, India.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Vícios
Tema inovador, não? Vício, do Lat. vitiu; s. m., hábito de proceder mal; costume censurável ou condenável; costumeira; hábito prejudicial; libertinagem; defeito; acção indecorosa que se pratica por hábito; viciação; erro; dolo. Tudo meu agora é no latim. Enfim, isso não vem à questão.
O vício não poupa ninguém e isso não é novidade. Ataca mais alguns do que outros, mas o velhinho sempre vem. Bem abençoada fui com vários, desde os sete anos iniciei o mais antigo e aparente de todos, a tricotilomania, mania de arrancar cabelos. Ah, porém antes tive anorexia, que é um vício sim, já que é um mal hábito e o contrário da compulsão por alimentos. A tricotilomania não sei bem como começou, entretanto, a anorexia iniciou-se, lembro bem do dia: no horário do lanche da escola, quando um menino se engasgou com uma pizza, o medo da professora de que ele morresse foi tão grande que eu o contraí. Sim, tive medo de comer e engasgar e morrer.
Depois vieram os TOCs (não que a anorexia já citada não fosse um, nesse caso), estalar, fazer o sinal da cruz, bater na madeira...incontáveis. Mais recentemente, uma compulsãozinha diária por doces, nem que seja um chocolatezinho, preciso comer. Isso também não é nada original, visto que as mulheres, grandes mártires da TPM, período de confusão de hormônios e conseqüentemente, neurotransmissores, têm de repor a seretonina.
O ponto chave é: Finalmente desvendei ele, O Diabo. Sim, ele mesmo, aquele que sempre aparecia em meus jogos, aquele que considerava meu perseguidor, de quem era vítima. Não era mais que a representação de mim mesma. Ninguém, absolutamente ninguém é meu carrasco nessa fábula de idas-e-vindas. Sou eu que possuo mais um vício. E mais uma vez, não sou nenhuma santa prostituta ou mãe virgem: o suposto 'amor' e também o sexo já foram cientificamente comprovados como 'sintetizadores' de serotonina e endorfina, tendo efeitos no cérebro semelhantes a muitas substâncias alucinógenas . E quem mais suscetível a isso do que uma usuária forçada de cloridrato de fluoxetina? Assim como uma fumante que finalmente ''vê a luz'' além daquela de seu cigarro, eu ando contra a corrente de minha dependência. Nunca fui muito boa nisso, admito. Talvez eu passe o resto da minha vida sonhando com Frees, assim como minha mãe, ex-fumante há mais de dez anos.
O vício não poupa ninguém e isso não é novidade. Ataca mais alguns do que outros, mas o velhinho sempre vem. Bem abençoada fui com vários, desde os sete anos iniciei o mais antigo e aparente de todos, a tricotilomania, mania de arrancar cabelos. Ah, porém antes tive anorexia, que é um vício sim, já que é um mal hábito e o contrário da compulsão por alimentos. A tricotilomania não sei bem como começou, entretanto, a anorexia iniciou-se, lembro bem do dia: no horário do lanche da escola, quando um menino se engasgou com uma pizza, o medo da professora de que ele morresse foi tão grande que eu o contraí. Sim, tive medo de comer e engasgar e morrer.
Depois vieram os TOCs (não que a anorexia já citada não fosse um, nesse caso), estalar, fazer o sinal da cruz, bater na madeira...incontáveis. Mais recentemente, uma compulsãozinha diária por doces, nem que seja um chocolatezinho, preciso comer. Isso também não é nada original, visto que as mulheres, grandes mártires da TPM, período de confusão de hormônios e conseqüentemente, neurotransmissores, têm de repor a seretonina.
O ponto chave é: Finalmente desvendei ele, O Diabo. Sim, ele mesmo, aquele que sempre aparecia em meus jogos, aquele que considerava meu perseguidor, de quem era vítima. Não era mais que a representação de mim mesma. Ninguém, absolutamente ninguém é meu carrasco nessa fábula de idas-e-vindas. Sou eu que possuo mais um vício. E mais uma vez, não sou nenhuma santa prostituta ou mãe virgem: o suposto 'amor' e também o sexo já foram cientificamente comprovados como 'sintetizadores' de serotonina e endorfina, tendo efeitos no cérebro semelhantes a muitas substâncias alucinógenas . E quem mais suscetível a isso do que uma usuária forçada de cloridrato de fluoxetina? Assim como uma fumante que finalmente ''vê a luz'' além daquela de seu cigarro, eu ando contra a corrente de minha dependência. Nunca fui muito boa nisso, admito. Talvez eu passe o resto da minha vida sonhando com Frees, assim como minha mãe, ex-fumante há mais de dez anos.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Me desculpe se só o abordo em prantos. Talvez jamais tenha aprendido a sorrir para as pessoas certas e nas devidas ocasiões. Estou aqui por causa de uma indicação amiga, como último apelo. Orar, do Latim, implorar, pedir. É sempre o último apelo, o mais vergonhoso, aquele que nunca morre ou deixa de deixar dúvidas sobre sua eficiência, sua escuta. Quando sua mãe, seu pai, seu confidente e o padre vão dormir, menos você.
É insuportável estar acordado sozinho, assim como ser vigiado. Ainda assim, a idéia de ser observado por alguém que não podemos observar, com quem podemos falar, mas que jamais responderá, é reconfortante. Porque a aceitação da mudez eterna, do infinito entendimento e consentimento, do não-julgamento, é uma ilusão cara e nunca completa daqueles que pagam uma terapia (me inclua nesse grupo).
Então aqui estou, tornando a minha prece eterna enquanto dure e suplicando por aquilo que todos sempre suplicam e suplicarão. Todavia, deixemos nossa conversa entre nós dois, o sagrado sigilo entre o crente e o crido. Amém.
É insuportável estar acordado sozinho, assim como ser vigiado. Ainda assim, a idéia de ser observado por alguém que não podemos observar, com quem podemos falar, mas que jamais responderá, é reconfortante. Porque a aceitação da mudez eterna, do infinito entendimento e consentimento, do não-julgamento, é uma ilusão cara e nunca completa daqueles que pagam uma terapia (me inclua nesse grupo).
Então aqui estou, tornando a minha prece eterna enquanto dure e suplicando por aquilo que todos sempre suplicam e suplicarão. Todavia, deixemos nossa conversa entre nós dois, o sagrado sigilo entre o crente e o crido. Amém.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Ok, vou escrever aqui porque tomei vergonha na cara e devo cuidar do que eu criei, ou destruí-lo por completo. Ninguém ligaria ou sentiria se eu escrevesse aqui meus mais risíveis segredos, mais odiosos desafetos e dolorosos ciúmes. Sinto até vontade de tentar, mas, apesar da refuta de todos, ainda tenho o juízo na cabeça.
Pensei em fazer o que muitos fazem e eu não sabia: comentários sobre imagens. Porém, muito dessa prática exige um grande conhecimento de moda, beleza e celebridades, algo que não possuo nem tenho muito interesse, apesar de ser divertido.
Já sei, vou postar sobre o que acho de interessante, idiota e engraçado na internet, assim vocês ficam bem atualizadinhos no meu cotidiano (o que não pede mais do que 5 minutos de vossas 24 horas diárias). Me sinto falando com uma parede. Um dia o mundo ouvirá o urgido dos meus teclados (isso não é promessa de profissão).
Cumprindo com minha palavra, aqui está algo que vi, um trailler de um filme brasileiro, que estreará dia 18 de julho, que achei completamente babaca, porém tenho que admitir que me identifiquei em várias partes (não que eu escreva regularmente como a protagonista) e gostei de como ele se inicia: Nome Próprio.
Pensei em fazer o que muitos fazem e eu não sabia: comentários sobre imagens. Porém, muito dessa prática exige um grande conhecimento de moda, beleza e celebridades, algo que não possuo nem tenho muito interesse, apesar de ser divertido.
Já sei, vou postar sobre o que acho de interessante, idiota e engraçado na internet, assim vocês ficam bem atualizadinhos no meu cotidiano (o que não pede mais do que 5 minutos de vossas 24 horas diárias). Me sinto falando com uma parede. Um dia o mundo ouvirá o urgido dos meus teclados (isso não é promessa de profissão).
Cumprindo com minha palavra, aqui está algo que vi, um trailler de um filme brasileiro, que estreará dia 18 de julho, que achei completamente babaca, porém tenho que admitir que me identifiquei em várias partes (não que eu escreva regularmente como a protagonista) e gostei de como ele se inicia: Nome Próprio.
domingo, 25 de maio de 2008
MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
PESSOA; FERNANDO.
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